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  • Ânima recompra FMU por R$ 410 milhões, cinco anos após vendê-la

    Ânima recompra FMU por R$ 410 milhões, cinco anos após vendê-la

    A Ânima Holding (ANIM3) fechou contrato para recomprar a FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), cinco anos depois de ter vendido a instituição paulistana para viabilizar a aprovação regulatória de sua compra bilionária dos ativos da Laureate no Brasil. A operação foi anunciada em comunicado no portal da CVM nesta terça-feira (14), com valor de R$ 410 milhões — abaixo dos R$ 500 milhões pelos quais a própria Ânima havia vendido a FMU em 2021.

    A compra é feita pela Rede Educacional do Brasil, subsidiária integral da Ânima, e tem como vendedor o Camp Nou Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia. O Camp Nou é o veículo pelo qual a gestora Farallon controla a FMU desde 2021 — ou seja, a Ânima recompra a instituição do mesmo grupo a quem vendeu.

    A FMU está em recuperação judicial. Segundo o comunicado, o processo de compra e venda de cotas foi assinado nesta terça, com a aquisição da totalidade do capital da instituição sujeita a condições ainda pendentes.

    Como a Ânima chegou a vender — e agora recomprar — a FMU

    Em 2020 e 2021, a Ânima negociou a compra dos ativos da Laureate no Brasil, um dos maiores negócios do setor educacional brasileiro. Como parte do mesmo desenho contratual, a companhia vendeu 100% da FMU ao fundo Farallon por R$ 500 milhões — uma venda pensada para facilitar a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), autarquia federal que analisa e pode restringir negócios que concentrem mercado. A venda da FMU foi condicionada à aprovação do CADE para a compra da Laureate, e o negócio foi concluído em maio de 2021.

    Em março de 2025, a FMU pediu recuperação judicial — mecanismo legal que permite a uma empresa em dificuldade financeira renegociar dívidas com credores sob supervisão da Justiça, evitando a falência. À época, a instituição declarava dívidas da ordem de R$ 116 milhões a R$ 130 milhões sujeitas ao processo.

    Agora, com a FMU ainda em recuperação judicial, a Ânima assina o contrato para recomprá-la — por um valor R$ 90 milhões menor do que o da venda de 2021.

    Como fica o pagamento

    O preço de aquisição (“Equity Value”) é de R$ 410 milhões, dividido em duas partes. A primeira, de R$ 240 milhões, é paga à vista em dinheiro no fechamento da operação; se o fechamento ocorrer depois de 31 de dezembro de 2026, esse valor passa a ser corrigido pelo CDI, taxa de referência do mercado interbancário brasileiro usada para atualizar valores monetariamente.

    A segunda parcela, a prazo, vence em 31 de dezembro de 2029 ou três anos após a aprovação definitiva do CADE — o que ocorrer primeiro. Seu valor é o maior entre dois cálculos: um piso de R$ 170 milhões corrigido pelo CDI, ou uma fórmula de earn-out — mecanismo contratual em que parte do preço de uma aquisição é condicionada ao desempenho futuro do negócio comprado — atrelada ao EBITDA e à dívida líquida que a FMU apresentar até o vencimento da parcela. Na prática, quanto melhor for a recuperação financeira da FMU sob controle da Ânima, maior tende a ser o valor final pago pela segunda parcela.

    Por que a operação ainda não está fechada

    O fechamento da transação depende da aprovação do CADE, com conclusão estimada pela Ânima para o final de 2026, além de outras condições precedentes usuais em operações desse tipo.

    A Ânima também esclarece, no fato relevante, que a operação não se sujeita ao artigo 256 da Lei das S.A. (Lei 6.404/76) — dispositivo que exige aprovação em assembleia de acionistas quando uma companhia aberta compra o controle de outra sociedade em patamares considerados relevantes, como proteção aos acionistas minoritários. Segundo a companhia, isso ocorre porque a compra foi realizada pela Rede, subsidiária, e não diretamente pela Ânima Holding.

    Sobre a FMU

    A FMU tem mais de 50 anos de história e conceito institucional 5 no MEC — a nota mais alta do indicador do Ministério da Educação. A instituição tem 51 mil alunos matriculados em seis campi em São Paulo, além de mais de 200 unidades de ensino a distância pelo país. No período de 12 meses encerrado em 31 de março de 2026, a FMU teve receita líquida de R$ 281,7 milhões, EBITDA ajustado ex-IFRS 16 de R$ 52,9 milhões e dívida líquida ajustada de R$ 150,3 milhões, conforme o fato relevante.

    O que a Ânima diz sobre a operação

    Em nota, a companhia afirma que a chegada da FMU fortalece a posição estratégica de sua rede de instituições no ensino superior brasileiro. A Ânima também cita um processo de redução de endividamento: o múltiplo entre dívida líquida ajustada e EBITDA ajustado ex-IFRS 16 do grupo era de 2,39 vezes em 31 de março de 2026, segundo a companhia.

    A Ânima realiza um webinar em português, com tradução simultânea para o inglês, para detalhar a operação a investidores. A companhia orienta que dúvidas sejam encaminhadas ao Departamento de Relações com Investidores.

    * Este conteúdo foi gerado por uma inteligência artificial com base em informações públicas e posteriormente revisado por um jornalista.