A ISA Energia Brasil (ISAE3) deu o primeiro passo para levantar até R$ 1,3 bilhão no mercado. A companhia protocolou nesta quarta-feira (15) um pedido de registro automático na CVM para uma nova oferta de ações, que pode movimentar cerca de R$ 650 milhões inicialmente e dobrar de tamanho com o lote adicional.
A empresa pretende emitir cerca de 22,2 milhões de ações preferenciais, volume que pode chegar a 44 milhões caso a demanda permita a colocação integral do lote extra. Considerando o preço de fechamento de R$ 29,25 por ação em 14 de julho, usado como referência no comunicado, a oferta pode alcançar o valor máximo estimado.
O preço final, no entanto, será definido apenas após o bookbuilding, etapa em que investidores institucionais indicam quanto estão dispostos a pagar pelos papéis.
A operação é um follow-on, com emissão primária de ações preferenciais. Na prática, os recursos irão diretamente para o caixa da companhia, sem venda de participação por acionistas atuais.
Quem coordena e para onde vai o dinheiro
O BTG Pactual lidera a oferta, acompanhado por Bank of America, Bradesco BBI e Itaú BBA. No exterior, as instituições também atuarão por meio de afiliadas, focando investidores institucionais nos Estados Unidos e outros mercados. Nesses casos, a operação é estruturada para dispensar registro na SEC, a reguladora americana.
O movimento já vinha sendo preparado desde o início de julho, quando a ISA Energia contratou o BTG como assessor financeiro para avaliar a operação e, na sequência, ampliou o sindicato de bancos.
Agora, o fato relevante detalha o destino dos recursos: a liquidação de uma troca de participações com a AXIA Energia, antiga Eletrobras. Pelo acordo, a ISA Energia compra os 49% da Interligação Elétrica do Madeira que pertencem à AXIA e passa a deter 100% do ativo. Em contrapartida, vende sua fatia de 51% na Interligação Elétrica Garanhuns.
A companhia afirma já ter obtido aprovações da Aneel, do Cade e de credores específicos, mas a conclusão da operação ainda depende de etapas usuais. Se o negócio não for adiante, os recursos da oferta serão destinados a investimentos em reforços e melhorias na rede de transmissão.
Assembleia, cronograma e direito de prioridade
A oferta ainda depende do aval dos acionistas para sair do papel. A companhia convocou uma assembleia para 24 de julho, na qual será votado o aumento do limite de capital autorizado — o teto previsto no estatuto que permite a emissão de novas ações sem necessidade de aprovação a cada operação.
A controladora Isa Capital do Brasil, que detém 96,93% das ações ordinárias, já informou que votará a favor, inclusive por meio de voto à distância. Ainda assim, o cronograma chama atenção: a definição do preço por ação e o registro da oferta na CVM estão previstos para 23 de julho, um dia antes da assembleia que pode aprovar ou barrar a operação.
A própria companhia reconhece o risco. Se os acionistas rejeitarem a proposta, a oferta será cancelada automaticamente, e os valores eventualmente aportados pelos investidores serão devolvidos sem juros ou correção monetária.
Quem já é acionista terá direito de prioridade na compra das novas ações, proporcional à participação atual. Esse direito poderá ser exercido entre 15 e 21 de julho, por meio do agente de custódia. A Isa Capital do Brasil afirmou que pretende exercer sua preferência até o limite de sua fatia, hoje em 35,81%.
Por fim, a empresa ressalta que o fato relevante não configura recomendação de investimento. A decisão de participar da oferta exige avaliação própria dos riscos — e, como em qualquer aplicação em renda variável, há possibilidade de perda total do capital investido.
* Este conteúdo foi gerado por uma inteligência artificial com base em informações públicas e posteriormente revisado por um jornalista.
