A SLC Agrícola (SLCE3) fechou acordo para adquirir 8,9 mil hectares agricultáveis no Mato Grosso por R$ 669 milhões. Assim, a empresa desembolsará bem menos do que os R$ 1,85 bilhão que pagaria pela totalidade do Bloco Mato Grosso.
As companhias divulgaram o desfecho em fatos relevantes de 8 e 9 de julho de 2026. Com isso, encerraram o impasse que surgiu quando vários arrendatários reivindicaram ao mesmo tempo o direito de comprar as mesmas terras.
O Bloco Mato Grosso reúne 41,2 mil hectares físicos e 28 mil hectares agricultáveis no estado do Mato Grosso. As terras pertencem ao Grupo Radar, plataforma de gestão de propriedades agrícolas. A gestora americana Nuveen controla o grupo, e a Cosan (CSAN3) detém participação minoritária. Portanto, o conjunto equivale a cerca de 12% do portfólio total da Radar, segundo arquivamento da Cosan na SEC americana.
Três momentos até o acordo
Em 17 de junho de 2026, a Cosan anunciou a venda do bloco por R$ 1,85 bilhão a um terceiro comprador. A imprensa especializada identificou esse comprador como o Grupo Bom Futuro. A SLC Agrícola já arrendava 17,6 mil hectares dessas propriedades. Por isso, reagiu nove dias depois: exerceu de forma irrevogável seu direito de preferência e notificou o Grupo Radar. Na notificação, a empresa afirmou que pretendia comprar a totalidade das terras pelo mesmo preço.
O direito de preferência é uma cláusula contratual. Ela permite ao arrendatário comprar o imóvel arrendado nas mesmas condições que o proprietário ofereceu a um terceiro. Contudo, outros arrendatários também tinham esse direito. O Grupo Bom Futuro e o empresário Alexandre Jacques Bottan exerceram suas preferências ao mesmo tempo que a SLC. Dessa forma, criaram pretensões concorrentes sobre as mesmas terras.
Com os direitos em conflito, as partes foram à mesa de negociação. O resultado foi um acordo de segregação consensual. Em vez de uma única compradora levar todo o bloco, os arrendatários dividiram as propriedades entre si. Assim, cada um ficou com uma porção proporcional ao tamanho e à qualidade da área. Porém, os fatos relevantes não discriminaram as fatias do Grupo Bom Futuro e de Alexandre Jacques Bottan.
O que a SLC adquire e quanto pagará
A SLC Agrícola comprará 8,9 mil hectares agricultáveis com toda a infraestrutura instalada: silos, algodoeira e outras benfeitorias operacionais. O valor total chega a R$ 669,04 milhões. Desse montante, a empresa depositará R$ 255,15 milhões em uma conta vinculada (escrow) na assinatura do acordo. Esse mecanismo de garantia bloqueia os recursos até as partes cumprirem as condições contratuais. Em seguida, a SLC pagará o saldo de R$ 413,88 milhões até 30 de outubro de 2026.
A infraestrutura vale cerca de R$ 29,7 milhões. Descontado esse montante, a terra nua soma R$ 639,3 milhões, ou aproximadamente R$ 72 mil por hectare agricultável. A SLC já cultivava soja, milho e algodão nessas áreas, em sistema de rotação de culturas. Além dos 8,9 mil hectares comprados, a empresa manterá outros 8,7 mil hectares sob arrendamento nas mesmas propriedades. Parte desses contratos vai até as safras 2026/27 e 2029/30. Além disso, a SLC já recontratou 2,5 mil hectares com a nova proprietária, a Santa Maria Holding Ltda., por mais 15 anos.
A compra parcial, em vez da totalidade do bloco, alivia a pressão sobre o endividamento da companhia. Segundo análises de mercado publicadas após o anúncio, a alavancagem da SLC ficaria em torno de 2,7 vezes a relação dívida líquida/EBITDA em 2026. Portanto, esse patamar fica abaixo do que a compra integral dos 41,2 mil hectares geraria.
A entrada de caixa para a Cosan e os próximos passos
Para a Cosan (CSAN3), a operação gera uma entrada indireta de aproximadamente R$ 586 milhões, referente à sua participação no Grupo Radar. Em comunicado arquivado na SEC americana em junho, a companhia vinculou a venda à sua estratégia de desinvestimentos, redução da alavancagem e simplificação de portfólio.
O fechamento ainda depende de condições precedentes, ou seja, de requisitos contratuais que as partes precisam satisfazer antes de a transação virar definitiva. Entre eles, a operação pode exigir aprovação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o órgão antitruste federal que analisa negócios capazes de concentrar poder de mercado. Por fim, as companhias esperam concluir a transação até 30 de outubro de 2026.
Este texto foi produzido com auxílio de inteligência artificial e revisado por um jornalista humano antes da publicação.
