Engie eleva capital em R$ 8,36 bi e fecha compra da Jirau

Conselho aprovou o preço da oferta de ações e o aumento de capital que transfere a fatia da EBP na usina de Jirau para a companhia aberta

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A ENGIE Brasil Energia (EGIE3) fixou o preço de sua nova oferta de ações em R$ 30,50 por papel. O Conselho de Administração tomou a decisão em fato relevante do dia 14 de julho. Na mesma reunião, o colegiado aprovou o efetivo aumento do capital social, de R$ 8,36 bilhões. A companhia vai emitir cerca de 274 milhões de novas ações ordinárias.

A companhia lançou a oferta em 6 de julho, quando protocolou o pedido de registro automático na CVM. Ela serve para transferir à companhia aberta a fatia de 40% que a controladora ENGIE Brasil Participações (EBP) detém na usina hidrelétrica de Jirau.

Com o aumento, o capital social da ENGIE Brasil passa a somar R$ 15,22 bilhões. Ele fica dividido em cerca de 1,42 bilhão de ações ordinárias. Todo o dinheiro captado vai para a conta de capital social da companhia.

Como fica a fatia da EBP na Jirau

A oferta é uma distribuição primária de ações. Nesse formato, os recursos entram direto no caixa da empresa emissora, e não no bolso de um acionista vendedor. A operação seguiu o rito de registro automático da Resolução CVM 160. Esse rito dispensa análise prévia de mérito pela CVM antes da distribuição. Ele agiliza o processo, mas não substitui o julgamento do investidor sobre o negócio.

O preço de R$ 30,50 saiu do procedimento de bookbuilding. Nesse processo, investidores profissionais indicam interesse de compra, e a demanda observada ajuda a formar o preço final. A companhia destinou a oferta exclusivamente a esse público. Investidores profissionais têm maior capacidade financeira e mais sofisticação técnica, e por isso enfrentam menos exigências de proteção do que o investidor de varejo. Os atuais acionistas da companhia, porém, tiveram prioridade garantida para subscrever 100% das ações.

A EBP manteve o compromisso, firmado em 2 de julho, de subscrever ações no valor de R$ 5,74 bilhões. Ela paga por elas não com dinheiro, mas com as próprias ações que detém na Jirau. É esse mecanismo que transfere os 40% do capital da usina para a companhia listada.

A operação envolve a controladora de um lado e a companhia aberta do outro. Por isso, ela conta como transação com parte relacionada — modalidade que costuma exigir camadas extras de governança contra conflito de interesse. Neste caso, o Comitê Especial Independente para Transações com Partes Relacionadas da companhia acompanhou o processo. Os acionistas também aprovaram a operação em Assembleia Geral Extraordinária, em 2 de julho, com 89,81% do capital votante.

O valor da fatia da Jirau também passou por laudo de avaliador independente, a Apsis Consultoria Empresarial. O laudo apontou uma faixa de R$ 5,39 bilhões a R$ 5,93 bilhões. A integralização final, atualizada pelo CDI até o fim de junho, ficou dentro desse intervalo.

Antes da operação, três sócias dividiam o capital da concessionária Jirau Energia. A EBP tinha 40%. A Axia Energia — nome atual da antiga Eletrobras — tinha outros 40%. A Mizha Participações, subsidiária da Mitsui, ficava com os 20% restantes. A usina, no rio Madeira (RO), é a quarta maior hidrelétrica do país, com 3.750 MW de capacidade instalada.

Excesso de demanda e o que muda a partir de agora

Antes da precificação, a oferta previa a possibilidade de um lote adicional de até 148 milhões de ações. Esse volume equivale a 82,8% a mais sobre a base inicial. No fato relevante desta terça, porém, a companhia informou que a alocação final de ações adicionais ficou em 95,4 milhões, ou 53,4%. O número ficou abaixo do teto que havia sido cogitado no lançamento da oferta.

Ainda assim, houve excesso de demanda superior a um terço da quantidade inicialmente ofertada. Por regra da Resolução CVM 160, isso levou ao cancelamento automático das intenções de investimento de Pessoas Vinculadas na oferta institucional. Pessoas Vinculadas são investidores com relação próxima à oferta, como funcionários dos bancos coordenadores ou administradores da própria companhia. O compromisso da EBP, no entanto, permaneceu válido. Por ser irrevogável e limitado ao valor da fatia da Jirau, ele seguiu o plano de distribuição já definido.

A oferta não previu lote suplementar nem procedimento de estabilização de preço. Isso significa que não há mecanismo formal para conter oscilações do papel no mercado secundário. A B3 passa a negociar as ações a partir de amanhã (16). A liquidação física e financeira ocorre no dia seguinte, 17 de julho.

A CVM concedeu o registro automático no mesmo dia da fixação do preço. O número do registro é CVM/SRE/AUT/ACO/PRI/2026/008. Por seguir esse rito, a operação não passou por análise prévia de mérito da CVM nem da ANBIMA. Mais informações estão disponíveis no site de relações com investidores da companhia.

* Este conteúdo foi gerado por uma inteligência artificial com base em informações públicas e posteriormente revisado por um jornalista.

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