A Aeris protocolou nesta terça-feira (3) pedido de recuperação extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, segundo fato relevante. O plano abrange R$ 1,52 bilhão em créditos quirografários não correntes, sem garantias reais ou fiduciárias, apurados em 31 de outubro de 2026.
O plano já tem a adesão de credores titulares de 42,18% dos créditos abrangidos. Em até 90 dias contados do ajuizamento, a companhia se comprometeu a obter a adesão de mais da metade desses créditos, quórum da homologação.
Desde o ajuizamento, vale a suspensão prevista no artigo 6º da LRF em relação aos créditos abrangidos. Ficam de fora do plano, porém, os créditos tributários, os trabalhistas e os decorrentes de acidentes de trabalho.
Termos ainda em negociação
Segundo a companhia, o plano celebrado com os principais credores busca readequar a estrutura de capital e reduzir a alavancagem. A fabricante também cita a continuidade da produção de pás para aerogeradores e a manutenção dos empregos. A reestruturação poderá incluir repactuação das condições de pagamento, captação de novos recursos e alteração de garantias.
Os novos termos de pagamento ainda vão constar de uma versão atualizada do plano, a ser negociada com os credores e levada à homologação judicial. A companhia afirma também que preserva as linhas de fornecimento necessárias às operações, que seguem normalmente.
O Conselho de Administração aprovou o ajuizamento do pedido, que ainda depende da ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária a ser convocada.
Segunda renegociação de dívida
Em 2025, a companhia renegociou R$ 1,41 bilhão em debêntures e empréstimos bancários e alongou o vencimento para 2030, segundo o NeoFeed. Na ocasião, os credores receberam como garantia os imóveis da fábrica em Caucaia, máquinas, estoque de pás e créditos de ICMS, diz o veículo.
Em agosto, a Aeris já havia pedido à Justiça a suspensão, por até 60 dias, de execuções e outras cobranças, segundo a CNN Brasil. O fato relevante desta terça-feira dá continuidade aos fatos relevantes divulgados em 20 e 27 de agosto.
A Aeris teve prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre de 2026, ante R$ 138 milhões no trimestre anterior, segundo o NeoFeed. A dívida líquida passou de R$ 1,19 bilhão no fim de 2024 para R$ 1,94 bilhão em junho de 2026, ainda segundo o veículo. Em junho, o patrimônio líquido estava negativo em R$ 989 milhões, ante R$ 696 milhões negativos no fim de 2025.
No balanço do segundo trimestre, a auditoria BDO apontou incerteza relevante sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia, segundo o NeoFeed. Com a demanda doméstica praticamente parada, a Aeris exportou para os Estados Unidos toda a produção de pás do primeiro semestre, segundo o NeoFeed.
Leia a íntegra do fato relevante no sistema de documentos da CVM.



